Seja benvindo!

Parece estranho mas crocodilos são os maiores cantores e românticos dos seres escamados... talvez por isso o nome deste blog esja tão adequado. Entre crocodilos e poemas é a válvula de escape literária, algo que impede uma erupção catastrófica mas, ainda sim, deixa fluir lava emocional e racional. Aproxime-se e ouça o som, pode ser um crocodilo, um vulcão, um roncar de terremoto ou apenas a cinza a cair...

domingo, 22 de abril de 2012

1
Grande corda entre aqui e ontem, entre o “se” e “enfim”
Espessa e delicada, bambeia, dançando no vazio
Malabares nas mãos, pés fora do chão, estranho serafim
Leva-me a instáveis mundos, daqui à li, sem brio

Oscilando, vivendo, rodopiando, temendo, eu viajo
Procurando o fim da linha, em desalinho, te vejo
Sou eu que vou lá, no meio do caminho, para frente
Delimitado pela sombra e luz, tropeçando descrente


2
Dividido, assim é o dia dos malditos a uma esperança
Manhãs de jubilo celeste, anoitecer dos condenados
Entre lanças de tormento e de ouro bento, andança
Olhar pupilas doces, mesma persona, pares opacos

Conta pra todos teu medo, encara a cascata de pedras
Aconchega-te no ombro e espera a ferroada venenosa
Curva em sono ao amor, acorda sem saber quem eras
Persegue ideal bem-fazer, enforca verdade indecorosa

Risca do bom livro todos os verbos, recita com ardor
Rubor pobre, estripa o coração, faça-o como diamante
Está a tropeçar nas vontades e verdades, tolo pensador
Arranca em rito os sentidos, nenhuma esperança adiante

Nenhum comentário:

Postar um comentário