Seja benvindo!

Parece estranho mas crocodilos são os maiores cantores e românticos dos seres escamados... talvez por isso o nome deste blog esja tão adequado. Entre crocodilos e poemas é a válvula de escape literária, algo que impede uma erupção catastrófica mas, ainda sim, deixa fluir lava emocional e racional. Aproxime-se e ouça o som, pode ser um crocodilo, um vulcão, um roncar de terremoto ou apenas a cinza a cair...

quinta-feira, 22 de novembro de 2012


Seguem as batidas regidas e repetidas do repique cardíaco
Seguem os ventos velozes, sagazes em seus altivos atalhos
Seguem as massas de areia, ardilosas, ardidas, âmago a expor
Seguem os tics e tacs, sem parar, sem esperar, loucos a girar



segunda-feira, 21 de maio de 2012

Temos que nos erguer a cada queda
Sacudir a poeira e tirar as pedrinhas dos ferimentos
Andar por sobre o buraco
Olhar em volta sem olhar para trás
Vencer as mãos mortas que teimam em nos segurar
e levar pra suas covas vivas e sabias, seus palácios
Voar com força de um furacão
Soar como uma canção da infância
Brilhar como aço de uma bela espada no sol
Ser nós mesmos se for necessário
Ser


sexta-feira, 11 de maio de 2012





Olho o mundo por olhos de vitral
Com cor diferente, forma sem definição
Turvo e torto, meio surreal e meio morto
Perdido nas arestas e nos retalhos de vidro
Cercado de certa forma, por cor e mistura
Será que sou visto por de trás desta armadura?
Este casulo de arco-íris, mórbido e irreal
E mesmo visto, sou identificado com precisão?
Devo dançar pra ser observado melhor?
Deixar os risos me consumirem
Devo lançar a fúria, fornalha da minha existência?
Vou tentar absolver os transgressores
Vou tentar rir dos lamentos da minha língua
Vou tentar estar diferente
Mas nem tanto

 

terça-feira, 1 de maio de 2012

Siga e seja a batalha, seja a paz durante a contenda
Seja a lâmina, embainhada e serena, mas viva e astuta
Seja o pé no solo, firme, mas pronto a saltar ou cravar-se
Seja os olhos fixos no infinito, atentos a tudo e a nada que não importe
Seja espaço entre aqui e lá, domine o invisível pra que outros percebam
Seja apenas.


domingo, 22 de abril de 2012

1
Grande corda entre aqui e ontem, entre o “se” e “enfim”
Espessa e delicada, bambeia, dançando no vazio
Malabares nas mãos, pés fora do chão, estranho serafim
Leva-me a instáveis mundos, daqui à li, sem brio

Oscilando, vivendo, rodopiando, temendo, eu viajo
Procurando o fim da linha, em desalinho, te vejo
Sou eu que vou lá, no meio do caminho, para frente
Delimitado pela sombra e luz, tropeçando descrente


2
Dividido, assim é o dia dos malditos a uma esperança
Manhãs de jubilo celeste, anoitecer dos condenados
Entre lanças de tormento e de ouro bento, andança
Olhar pupilas doces, mesma persona, pares opacos

Conta pra todos teu medo, encara a cascata de pedras
Aconchega-te no ombro e espera a ferroada venenosa
Curva em sono ao amor, acorda sem saber quem eras
Persegue ideal bem-fazer, enforca verdade indecorosa

Risca do bom livro todos os verbos, recita com ardor
Rubor pobre, estripa o coração, faça-o como diamante
Está a tropeçar nas vontades e verdades, tolo pensador
Arranca em rito os sentidos, nenhuma esperança adiante
Olá, sinto que tenho sido mais um tentativa de poeta doque de cientista, mas isso muda em breve. Apresento dois poemas acerca de Kenjutsu (talvez Kendo ou Aikiken), a arte de manejar a espada ao estilo samurai

Afirmo aos incautos, brandir uma espada de madeira requer o mesmo estado de espirito, ou deveria, daquele da espada real, da katana. Requer um despego ao ego, um concentrar no vazio, uma auseêcia. Abaixo vcs veêm o não exito, veêm a espada viva de ego e intensões, imperfeita e humana. Mas treino, meditação, força mental me levarão lá ...

1
Seguro o cabo da espada de vida vegetal, impregno meu espírito e vontade
Alinho meu ser na tua curvada linha regular, ao vazio a minha frente voltada
Pés ordenados, quadril centrado, tronco como as árvores, tão flexíveis, altivo
Olho pela ponta da madeira-eu, pela alça de mira, minha alma, meço o outro

Não sou samurai, não estou no nirvana ou em alto estado de alma, sou de carne
Esgano a espada, como se meu próprio ódio fosse músculo, nunca a deixarei cair
Vejo e antevejo, sincrônico estou, antes do inimigo deter-se de erro estratégico
Trespasso seu pulso, removo desejo de violar-me a vida, fúria não cabe em mim

Giro, ergo a viva parte da minha raiva, sou o deus do raio e da vingança, irado
Tenho a meu degustar toda a anatomia da vitima, não mais inimiga, mas presa
Escolho o doloroso golpe sem misericórdia na abóboda da mente, rachando-se
Mas, antes de quedar-se, com rápido movimento circular, arranco-lhe a face

Com o corpo aos meus pés, volto os olhos ao azul superior, acima e alto
Não há mais presença destes homens, nem eu, nem moribundo devastado
Braços relaxados, espada em mãos nem um pouco flácidas, respiro brando
A fúria, a irmã da calmaria, adormece, dividindo o leito com o meu espírito







2
Rodeado, um circulo de impessoais presenças que me seguiram vida a dentro
Pés enraizados, movendo somente os olhos, apenas minhas intenções perscruto
Lentos movimentos dos pés, mover de floresta antiga, copa acicular de espada
Meus expectadores, eles, sim, esperam, esperam e esperam, um ruir por dentro

Intocável, furação de movimentos, as raízes dançam, nunca deixam a gravidade
Minhas intenções refletem, são espelhos distorcidos, almejo ossos e articulações
Joelhos imóveis, costelas esmagadas, mandíbulas estupefatas, banho rubro belo
Dominós, branco rompendo róseo e vermelho, caem, eu deixo-os gemer, piedade

Quem se deixa por último não são os mais habilidosos, mas sim os mais adorados
Eles oferecem seu melhor, melhor peçonha, melhor esganar, merecem meu melhor
Conjuro minha versão transcendente, meu vazio mais prenhe de justiça, o alto juiz
Com mobilidade rochosa, uma leveza plúmbea de fúria, a pedaços todos reduzidos