Seja benvindo!

Parece estranho mas crocodilos são os maiores cantores e românticos dos seres escamados... talvez por isso o nome deste blog esja tão adequado. Entre crocodilos e poemas é a válvula de escape literária, algo que impede uma erupção catastrófica mas, ainda sim, deixa fluir lava emocional e racional. Aproxime-se e ouça o som, pode ser um crocodilo, um vulcão, um roncar de terremoto ou apenas a cinza a cair...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Letra com pressa impressa e impertinente pixel
Relatam um desfecho, frios como aço e pólvora 
Um ungido para a traição definitiva, a pecadora
Roubam o futuro, ceifam a vida livre do dossel


Aonde foi parar a reparação, a justa desforra?
Para quando foi adiada a existência autocrata?
A quem é dado direito de ser, fazer, estar, sonhar?
Como seguiremos a ser alvos desta cegueira social?


Em areias de conforto, cálidos pelo astro-maior
Repletos de boas lembranças e novos bons futuros
Anseio o melhor possível, imaginável, para todos
Que as novas sejam boas, para os justos e de valor


The shawshank redemption - Stephen King

quinta-feira, 22 de novembro de 2012


Seguem as batidas regidas e repetidas do repique cardíaco
Seguem os ventos velozes, sagazes em seus altivos atalhos
Seguem as massas de areia, ardilosas, ardidas, âmago a expor
Seguem os tics e tacs, sem parar, sem esperar, loucos a girar



segunda-feira, 21 de maio de 2012

Temos que nos erguer a cada queda
Sacudir a poeira e tirar as pedrinhas dos ferimentos
Andar por sobre o buraco
Olhar em volta sem olhar para trás
Vencer as mãos mortas que teimam em nos segurar
e levar pra suas covas vivas e sabias, seus palácios
Voar com força de um furacão
Soar como uma canção da infância
Brilhar como aço de uma bela espada no sol
Ser nós mesmos se for necessário
Ser


sexta-feira, 11 de maio de 2012





Olho o mundo por olhos de vitral
Com cor diferente, forma sem definição
Turvo e torto, meio surreal e meio morto
Perdido nas arestas e nos retalhos de vidro
Cercado de certa forma, por cor e mistura
Será que sou visto por de trás desta armadura?
Este casulo de arco-íris, mórbido e irreal
E mesmo visto, sou identificado com precisão?
Devo dançar pra ser observado melhor?
Deixar os risos me consumirem
Devo lançar a fúria, fornalha da minha existência?
Vou tentar absolver os transgressores
Vou tentar rir dos lamentos da minha língua
Vou tentar estar diferente
Mas nem tanto

 

terça-feira, 1 de maio de 2012

Siga e seja a batalha, seja a paz durante a contenda
Seja a lâmina, embainhada e serena, mas viva e astuta
Seja o pé no solo, firme, mas pronto a saltar ou cravar-se
Seja os olhos fixos no infinito, atentos a tudo e a nada que não importe
Seja espaço entre aqui e lá, domine o invisível pra que outros percebam
Seja apenas.


domingo, 22 de abril de 2012

1
Grande corda entre aqui e ontem, entre o “se” e “enfim”
Espessa e delicada, bambeia, dançando no vazio
Malabares nas mãos, pés fora do chão, estranho serafim
Leva-me a instáveis mundos, daqui à li, sem brio

Oscilando, vivendo, rodopiando, temendo, eu viajo
Procurando o fim da linha, em desalinho, te vejo
Sou eu que vou lá, no meio do caminho, para frente
Delimitado pela sombra e luz, tropeçando descrente


2
Dividido, assim é o dia dos malditos a uma esperança
Manhãs de jubilo celeste, anoitecer dos condenados
Entre lanças de tormento e de ouro bento, andança
Olhar pupilas doces, mesma persona, pares opacos

Conta pra todos teu medo, encara a cascata de pedras
Aconchega-te no ombro e espera a ferroada venenosa
Curva em sono ao amor, acorda sem saber quem eras
Persegue ideal bem-fazer, enforca verdade indecorosa

Risca do bom livro todos os verbos, recita com ardor
Rubor pobre, estripa o coração, faça-o como diamante
Está a tropeçar nas vontades e verdades, tolo pensador
Arranca em rito os sentidos, nenhuma esperança adiante